Após reunião com o governo, Abimaq rejeita retaliação aos EUA e cobra crédito mais barato para a indústria

Data: 22/07/2026
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Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) defendeu que o governo brasileiro evite retaliar os Estados Unidos e mantenha as negociações para tentar reduzir os efeitos das novas tarifas americanas, que entram em vigor nesta quarta-feira (22).

Após reunião entre representantes do setor produtivo com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e com o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Márcio Elias Rosa, em Brasília, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou que a indústria precisa de medidas em duas frentes: aumento da competitividade das exportações e ampliação do acesso ao crédito.

“Eu acredito que o governo não fará retaliação, não haverá Lei da Reciprocidade, o que nós apoiamos. Somos contra a utilização”, afirmou.

Segundo Velloso, uma resposta tarifária poderia afastar o Brasil da mesa de negociação. Para ele, o governo deve manter uma atuação diplomática e empresarial com Washington.

“O que nós temos que fazer, com pragmatismo, é nos aproximar e continuar na mesa de negociação. A reciprocidade ou qualquer retaliação só tiraria o Brasil da mesa”, disse.

Abimaq pede reforço de medidas para exportadores

Entre as propostas apresentadas ao governo, a Abimaq defendeu o fortalecimento do Reintegra, programa que devolve aos exportadores parte dos tributos acumulados ao longo da cadeia produtiva.

Velloso afirmou que o mecanismo poderia reduzir parcialmente o impacto das tarifas americanas sobre os produtos brasileiros.

A entidade também propôs o diferimento de tributos federais. A medida não representaria perdão de impostos, mas permitiria postergar o recolhimento de cobranças como Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS, Cofins e contribuições previdenciárias.

Segundo o executivo, instrumentos semelhantes foram adotados durante a pandemia de Covid-19 e após as enchentes no Rio Grande do Sul.

A Abimaq ainda pediu a ampliação dos recursos da ApexBrasil destinados à promoção das exportações e a prorrogação dos atos concessórios de drawback, regime que suspende ou elimina tributos sobre insumos usados na produção de bens exportados.

Com o adiamento de entregas por compradores estrangeiros, empresas podem não conseguir cumprir os prazos previstos no regime, explicou Velloso.

Entidade quer mudanças no Brasil Soberano

A Abimaq avaliou que o Plano Brasil Soberano foi bem estruturado, mas precisa de ajustes para alcançar mais empresas e reduzir o custo do financiamento.

Entre as mudanças solicitadas estão a flexibilização dos critérios de elegibilidade, a ampliação dos setores beneficiados e a redução dos juros cobrados pelas instituições financeiras que repassam os recursos.

Segundo Velloso, o spread bancário pode chegar a 5%, o que encarece as operações, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.

A entidade também pediu isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas linhas do programa e maior uso de seguros de crédito para reduzir os riscos assumidos pelos agentes financeiros.

Outro ponto questionado foi a exigência de manutenção dos empregos pelas empresas que tomarem os recursos.

“Muitas empresas, quando aderem ao programa Brasil Soberano, dão um tiro no escuro, porque estão pegando dinheiro emprestado e terão que devolver. A garantia de emprego é um risco muito grande e inibe a entrada no programa”, afirmou.

Fonte: Times Brasil

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