Brasil tem pelo menos 19 milhões de nanoempreendedores, diz estudo

Post atualizado em: 08/09/2026
Brasil tem pelo menos 19 milhões de nanoempreendedores, diz estudo
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O Brasil tem pelo menos 19 milhões de trabalhadores que se enquadram na categoria de nanoempreendedores criada pela reforma tributária, segundo estudo encomendado pela Natura e conduzido pelo economista Fernando Blumenschein.

A categoria reúne pessoas que exercem atividades econômicas de pequena escala, muitas vezes para complementar a renda, como costureiras, manicures, cabeleireiros, eletricistas, ambulantes e revendedores de cosméticos.

Para ser considerado nanoempreendedor, é preciso ter receita bruta anual inferior a R$ 40,5 mil - metade do limite de faturamento do microempreendedor individual (MEI) - e não estar inscrito nesse regime. Não é necessário ter CNPJ para se enquadrar na categoria.

Motoristas e entregadores que trabalham por aplicativos têm um limite maior, de R$ 162 mil por ano, equivalente ao dobro do teto do MEI.

A principal diferença para o MEI está justamente na formalização. O nanoempreendedor não precisa abrir CNPJ nem emitir documento fiscal e, pela reforma tributária, não recolhe IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) nem CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), os dois novos tributos sobre o consumo que passam a ser cobrados em 2027.

A dispensa dos documentos foi formalizada por decisão da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, formado por estados e municípios, publicada no final de agosto. Quando o estudo foi elaborado, essa dispensa ainda não estava formalizada.

Dos 19 milhões estimados pelo estudo, 15,5 milhões trabalham por conta própria sem CNPJ - número que representa cerca de 60% dos trabalhadores informais brasileiros. Os outros 3,5 milhões têm o cadastro.
A categoria foi criada para alcançar atividades de pequena escala que poderiam ser sobrecarregadas pela burocracia exigida de empresas maiores. Na prática, muitos desses trabalhadores já não pagam os atuais tributos sobre o consumo. Com a reforma, poderão continuar na mesma situação.

Uma segunda categoria de nanoempreendedor inclui trabalhadores que prestam serviço de transporte individual de passageiros ou de entregas, com receita de até R$ 162 mil por ano. O Brasil tinha cerca de 2 milhões de pessoas exercendo trabalho por meio de aplicativos de serviços em 2025, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na semana passada.

O levantamento estima um potencial de 5,3 milhões de mulheres inseridas no universo de nanoempreendedoras que poderiam ser alcançadas pela venda direta, modelo em que produtos são vendidos diretamente ao consumidor, como ocorre com revendedoras de cosméticos. O número não significa, necessariamente, que todas já trabalhem atualmente nesse setor.

Segundo o estudo, a venda direta tem potencial de alcançar especialmente mulheres que procuram uma atividade flexível. Cerca de 44% das nanoempreendedoras trabalham menos de 40 horas por semana, característica associada à utilização dessa atividade como complemento de renda.
Fonte: Jornal do Comércio

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