Tarifaço: relação Brasil-China bate recordes, mas mercado asiático não substitui EUA em exportações

Data: 20/07/2026
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Após o anúncio de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, o governo chinês afirmou estar disposto a ampliar o diálogo com o Brasil e outros países do Sul Global para defender o sistema multilateral de comércio e minimizar os impactos de medidas protecionistas.

Em declaração oficial, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, classificou a medida adotada por Washington como “lamentável” e afirmou que guerras tarifárias não produzem vencedores.

Segundo ele, Pequim está disposta a trabalhar em conjunto com o Brasil para preservar a justiça e a equidade nas relações comerciais internacionais.

Relação estratégica para o comércio brasileiro

O posicionamento ocorre em um momento em que a China ocupa uma posição central na pauta exportadora brasileira. Desde 2009, o país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por uma parcela significativa das vendas externas nacionais.

A relação bilateral começou a ganhar relevância econômica nos anos 2000, impulsionada pela rápida expansão da economia chinesa e pela crescente demanda por alimentos, energia e matérias-primas. Em 2003, a corrente de comércio entre os dois países somava apenas US$ 6,6 bilhões.

Nos anos seguintes, o intercâmbio avançou em ritmo acelerado. A China passou a ampliar as compras de soja, minério de ferro e petróleo brasileiros, enquanto o Brasil aumentou as importações de máquinas, equipamentos, produtos químicos e manufaturados chineses.

Comércio bate recorde histórico

O fortalecimento da parceria levou a corrente de comércio bilateral a atingir um recorde de US$ 171 bilhões em 2025. O resultado consolidou a China como o maior mercado para produtos brasileiros e ampliou a distância em relação aos demais parceiros comerciais do país.

A soja permanece como o principal item exportado pelo Brasil para o mercado chinês, seguida por minério de ferro, petróleo e carne bovina. Em alguns segmentos, a dependência é expressiva. Cerca de 70% das exportações brasileiras de soja têm como destino o país asiático.

Os dados mais recentes mostram que a tendência de crescimento continua. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a China alcançaram US$ 58,3 bilhões, o maior valor já registrado para o período. As importações provenientes do país asiático também bateram recorde, chegando a US$ 38,5 bilhões.

Espaço para crescer, mas sem substituir os EUA

Apesar da disposição demonstrada por Pequim para aprofundar a cooperação econômica, a capacidade de a China absorver integralmente eventuais perdas provocadas pelas tarifas norte-americanas é limitada pela própria estrutura do comércio bilateral.

O mercado chinês concentra suas compras em commodities agrícolas, minerais e energéticas, produtos que já ocupam posição dominante na pauta exportadora brasileira para o país. Isso reduz a margem para uma expansão acelerada de vendas em outros segmentos.

Além disso, parte dos produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos possui perfil diferente daquele demandado pela China. A composição das exportações destinadas aos dois mercados não é equivalente, o que dificulta uma simples transferência dos fluxos comerciais.

Fonte: TIMES BRASIL

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